OS TRÊS REIS MAGOS
( ILUSÃO OU REALIDADE?)
Mago
ou Magi, plural da antiga palavra Persa magus, cuja raiz é “meh”,
que quer dizer grande, significa “imagem” e “um grande homem
sábio”. É comum usar a palavra Mago como indicativo daquele
que pratica a magia ou ocultismo, no entanto, também pode significar
“aquele que possui conhecimentos e habilidades superiores” como,
por exêmplo, quando se diz que alguém é um “mago dos
teclados”, pois toca o instrumento musical com perfeição.
A primeira notícia de sua presença data de 660 a .C., na Pérsia
onde, usando traje composto de um manto escuro decorado com estrelas, um chapéu
alto, pontudo e triangular, os Magos faziam apresentações públicas
envolvendo o uso de substãncias produtoras de fumaça causando
uma grande. Impressão no povo. Foram os precursores da quimica e da astronomia.
Como estamos no ano 2007 d.C. caracterizado pelo apogeu da Ciência apoiada
na tecnologia, a nossa visão das coisas é totalmente diferente
daquela existente em 660 a . C. Hoje, para crermos em algo, precisamos muito
mais do que demonstrações públicas de alguém vestido
com chapéu pontudo e roupa enfeitada com estrelinhas e fazendo fumaça.
Precisamos de experiências repetitivas que comprovem a existência
do fato, independente de nos impressionarem os sentidos. Em se tratando de conteúdo
religioso, para nós, Espíritas, a posição não
é diferente. “Fé inabalável só o é
a que pode encarar frente a frente à razão, em todas as épocas
da Humanidade”. É por isso que, ao analisar o capítulo dois,
versículos um a doze do Evangelho Segundo Mateus onde se encontra a menção
sobre “Os Três Reis Magos”, nota-se claramente a presença
dos enxertos e adulterações ao texto original do Evangelista,
impetrada pela tradição, ao longo desses mais de dois mil anos
de existência do Novo Testamento. Isto porquê nada se encontrou
histórica ou arqueologicamente que comprove a existência dos Três
Reis Magos!. Aliás, os magos só são mencionados no Evangelho
Segundo Mateus, sendo que nenhum dos outros três evangelistas os citam.
Nos 12 versículos do capítulo citado, Mateus não especifica
quantos são. Sabemos que são mais de um porquê a citação
está no plural (“...vieram uns magos...”, cap.12, vers.1).
Não há nenhuma menção de que eram Reis!. Somente
no século II d.C. é que recebem o título de Reis (foi uma
tentativa da tradição de adaptar o texto original para que a profecia
contida no Salmo 72 se confirmasse: “Todos os Reis cairão diante
dele”). Depois de 800 anos do nascimento de Jesus–Cristo é
que ganham nome e local de origem:
a)
Melchior (em hebraico Melichior – Rei da Luz) = Rei da Pérsia
b) Gaspar (em hebraico Gathaspa – O Branco) = Rei da Índia
c) Baltazar (em hebraico Bithisarea – Senhor dos Tesouros) = Rei da Arábia.
E
trazem para Jesus:
a) Ouro: presente para um Rei
b) Incenso: presente para um Religioso
c) Mirra (que é uma planta medicinal): presente para um Profeta.
O que fica claro é a tentativa de impressionar o povo com uma tradição
feita da fumaça mentirosa que empana a visão, não permitindo
enxergar o fato com clareza, como se estivéssemos na Pérsia ao
tempo dos primeiros Magos ou Magi!. Na realidade, os chamados e comemorados
“Três Reis Magos” não são nem foram pessoas
físicas, sendo apenas representações simbólicas!.
Obviamente, não sendo pessoas mas apenas um simbolismo, os restos corpóreos
existentes na Catedral de Colônia, na Alemanha são de outras pessoas,
menos deles. E pensar que milhares de pessoas se dirigem até lá
e veneram estes restos mortais pensando que são mesmo dos Três
Reis Magos!. Nada contra as tradições, cuja palavra vem do latim
“tradito+one”, que significa “tudo o que se pratica por hábito
ou costume”. E sem hábitos nenhum de nós vive, conforme
apregoa a Psicologia!. Entretanto, em se tratando do estudo para a compreensão
do Evangelho a fim de termos a sua prática correta, é preciso
analisar destituído de prevenções e sem a postura emocional,
a fim de não nos rendermos às demonstrações dos
homens de chapéus pontudos que apenas produzem fumaça, mas que
continuam a iludir milhares de pessoas. Faz-se imperioso que, analisando ponto
a ponto os Evangelhos, o façamos dotados da fé que raciocina para
que a luz inigualável nele contida brilhe sem nenhum tipo de mácula.
Boa nova trazida por Jesus-Cristo, o Evangelho é este Sol inigualável
aquecendo e clareando a vida de todos nós.
FP.:
Evangelho Segundo O Espiritismo, 94ª.Ed., Allan Kardec
O Livro dos Espíritos, 63ª.Ed., Questões 551 a 557, Allan
Kardec
Dicionário Histórico de Religiões, 1ª. Ed., Verbetes
“mago” e “magia”, vários autores
Autor: Antonio Donizeti
do Espírito Santo
Expositor da FEESP – Federação
Espírita do Estado de São Paulo
Diretor Presidente do GEEVA – Grupo de Estudos
Espírita Vozes do Além
E-mail: geeva@geeva.org